O Core não é constituído por apenas um músculo, mas sim por quatro músculos principais que trabalham de forma integrada: o abdominal profundo (à frente), o multífidus (atrás), o pavimento pélvico (em baixo) e o diafragma (em cima), formando aquilo a que se chama o nosso cilindro de estabilidade.
Características da musculatura do Core
Para percebermos o Core, é importante compreender a função de cada músculo que o constitui:
- Abdominal profundo / Transverso abdominal
É o músculo abdominal mais profundo e atua como uma verdadeira cinta natural, ajudando a estabilizar a coluna e a controlar a pressão intra-abdominal. A sua ativação ocorre de forma antecipatória, antes dos movimentos dos braços ou das pernas, desempenhando um papel fundamental na proteção da coluna.
- Multífidus
Conjunto de pequenos músculos profundos localizados ao longo da coluna vertebral. A sua principal função é a estabilização segmentar da coluna, sendo a sua correta ativação essencial para a prevenção e gestão da dor lombar.
- Pavimento pélvico
Forma a base do cilindro de estabilidade e é responsável por funções essenciais como o controlo urinário e fecal, o suporte dos órgãos pélvicos e a contribuição para a estabilidade do tronco.
- Diafragma
É o principal músculo da respiração e desempenha um papel fundamental na estabilidade do tronco.

A relação entre os músculos do Core
A relação entre os quatro músculos que compõem o nosso cilindro de estabilidade estabelece-se por diversas razões. Por um lado, quando um dos músculos — multífidus, transverso abdominal ou pavimento pélvico — é ativado, os restantes tendem a ativar-se em conjunto, quer pela partilha de ligações fasciais, quer por vias neurológicas semelhantes.
Por outro lado, o diafragma, ao relaxar e subir durante a expiração, contribui para a regulação da pressão intra-abdominal. Esta alteração de pressão desencadeia a contração reflexa dos restantes músculos do Core, permitindo manter a estabilidade do tronco. É por esta razão que a respiração assume um papel tão importante na execução dos exercícios e no trabalho do Core.
Importância do Core e relação com o Pilates
Um Core funcional é essencial para:
• Manter uma postura em que a coluna tem um comprimento otimizado
• Proteger a coluna vertebral
• Prevenir lesões
• Melhorar o equilíbrio e a coordenação
• Tornar os movimentos do dia a dia e do desporto mais eficientes e seguros
No Pilates Clínico, o Core é a base de todo o método. Os exercícios são realizados com foco na ativação consciente da musculatura profunda, promovendo controlo, precisão e qualidade de movimento, em vez de força excessiva ou compensações.
Esta ativação muscular é reforçada através de imagens visuais e de feedback tátil e verbal fornecidos pelo instrutor ao longo da sessão. A ativação do centro, de uma forma global, contribui para o aumento e a correta regulação da pressão intra-abdominal, promovendo uma maior estabilidade da coluna lombar.
Num próximo blog iremos explorar mais profundamente a parte da respiração e a sua importância na realização dos exercícios e na gestão da dor.
Fique atento às novidades!
